Este sábado fui ver uma peça chamada Wonderland (podes ter a certeza que vamos ter muitas tardes juntas a ler Alice um dia!) E numa cena a Rainha de Copas perguntava insistentemente a Alice quem ela era e o que fazia ali e nunca esperava para ouvir as respostas. Fez-me pensar nas inúmeras vezes que agimos atropelando a criança com todas as nossas intenções de lhe dar. Simplesmente dar, sem medir se do outro lado essa dádiva quer ser recebida.
Quando decidi ficar contigo em casa tinha imensos planos de atividades para fazermos, para te ajudar a crescer, digamos assim. Na minha mente de educadora as crianças precisavam de estar num processo de aprendizagem constante, sendo o educador facilitador disso. Ainda acredito que somos nós os facilitadores, mas tu ensinaste-me algo ainda mais valioso. No ambiente certo, como acesso aos materiais certos, as crianças são capazes de aprender muito mais do que aquilo poderíamos ensinar desde que consigamos ser capazes de não interferir.
Em primeiro lugar fazemos imensos passeios, mesmo que seja só para ir buscar o pão. E pelo caminho vou-te sempre explicando o que estamos a fazer, dizendo o nome das coisas que vemos... Assim vamos aprendendo, sem ser preciso sentarmo-nos a ver cartões de imagens ou a fazer jogos de identificação.
Outra coisa que me ensinaste é que deixando livros, brinquedos e jogos à tua disposição tu vais estabelecendo o teu próprio plano de descobertas. Se realmente queres descobrir vais buscar um livro e, sentada ao meu lado, vais repetindo "eta" enquanto apontas para as imagens. E eu só tenho de deixar fluir, sem pressões, sem planos e sem pressas. É sabes de uma coisa, neste mês surpeendes-me todos os dias com tudo o que já sabes!

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